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Carta de ex-funci ao Presidente do Banco do Brasil, denuncia injustiças do BB e PREVI

Senhor Presidente, lamentavelmente eu me apresento como ex-funcionário do BB e digo isto não só pela condição de “EX”, mas principalmente porque ao longo dos anos esta classe de “excluídos da Nação”, vem tentando se comunicar com a direção do nosso outrora “amado patrão” e via de regra nossas correspondências são sequer lidas, restando-lhes a lata do lixo, destino idêntico dado aos anos de dedicação ao trabalho, doação de nossas vidas e dos destinos de nossas famílias, que a vilania do Governo FHC nos impôs.

Logo do BB

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O momento é peculiar, interessante. Assistimos incrédulos o que se passa com a questão da distribuição do Superavit da Previ, quando reuniões e mais reuniões nada resolvem, embora saibamos que o comando é do BB.

Num primeiro momento pode lhe causar estranheza minha manifestação, afinal de contas, na condição de “ex-funcionário” do BB igualmente sou “ex-participante” da Previ, motivo pelo qual normalmente somos tratados com desdém e já estamos cansados do jargão “busquem seus direitos no Judiciário”, como se este judiciário fosse confiável e insuspeito, já que no Brasil configura-se a situação ridícula do Poder Público escolher a dedo os membros das altas cortes, que julgarão as questões onde este mesmo Poder Público figura como réu na maioria das vezes. Só no Brasil mesmo!

Não precisamos pensar muito para definir “Superavit”, é simples, é SOBRA, é o que ultrapassa a necessidade de um fundo de pensão para cumprir os compromissos futuros com seus assistidos. Então, quando esta discrepância ocorre, seria inteligente utilizar-se desses recursos para resolver questões antigas, que se arrastam ao longo do tempo, que vem sofrendo solução de continuidade, mas que ao mesmo tempo oferecem um risco à saúde não só do plano de benefícios, como também ao patrimônio da instituição BB como um todo.

Certamente neste momento o Sr. deve estar pensando, que já se passaram 15 anos da edição do famigerado PDV de 1995 e quase 20 anos do “PDV” de 91, portanto pode parecer caso encerrado, ou desgastado pelo tempo, prescrições judiciais são levantadas, prazos decadenciais igualmente, afinal sua finalidade jurídica é esta mesmo, ou seja, jogar no esquecimento questões que não foram resolvidas na época devida.

Mas agora eu me atrevo a entrar no âmago da questão. Agora vamos falar a verdade pura e simples, sem desculpas judiciais, sem subterfúgios interpretativos, sem fugas e sem medos. Falemos fora da esfera judicial, falemos apenas dos fatos da época, das finalidades reais do PDV e, despidos dos esfarrapados argumentos utilizados no judiciário tanto pelo BB quanto pela Previ, busquemos simplesmente a moralidade das coisas, a verdade sem receio e, quem sabe um dia, tomados pelo bom senso, pedevistas e demitidos do Banco do Brasil possam sentar frente a frente, olho no olho e discutirem a questão, sem que o BB tenha que baixar a cabeça pela vergonha que enfrenta perante a Nação, por ter jogado no lixo uma história de cumplicidade sem precedentes com seu corpo funcional, quando se utilizou de expedientes espúrios para sanear suas contas, confiscando o p atrimônio de seus funcionários, enxotados aos borbotões do interior das agências, acreditando num engodo que logo se desfez.

Senhor Presidente, o Senhor estava lá em 95, conhece os fatos, sabe da carta do Ex-Presidente Alcir Calliari ao Ministro da Fazenda alertando para a dificuldade que o BB enfrentava por conta do pagamento das aposentadorias do Grupo Pré-67 e sabe que o Governo Federal tinha inúmeros caminhos para superar a crise, principalmente porque o problema era e deveria ser resolvido pelo Tesouro Nacional, mas ao invés disso lançaram mão da imoralidade do PDV, quando sabemos que sua única finalidade era confiscar o patrimônio dos demitidos para sanear o BB, como realmente foi feito em dezembro de 1997.

A coisa toda foi uma brutalidade, quem saiu não teve tempo de pensar e quem ficou assistiu estupefato a ânsia do BB em livrar-se de seu “maior patrimônio” a qualquer custo.

A realidade Senhor Presidente, foi triste, muito triste e perdura até hoje. Lembra das décadas de 70 e 80? Milagre brasileiro, agências do BB por todos os cantos, progresso, transformações sociais, cidades que cresciam do nada, mas agora me diga: Essas agências funcionavam vazias? Contratavam pessoas do lugar? Não, o Senhor sabe melhor do que eu, que não era assim.

Tinha gente lá, amigos nossos, colegas, até nós mesmos estivemos lá. A falta de escolas, hospitais, médicos, luz, água, esgoto e até dentistas eram uma constante, ou o Senhor acredita que nos anos 70 o sertão do Piauí, do Ceará, a floresta amazônica, o pantanal, estavam lotados de médicos e dentistas? Se hoje ainda não tem, o que diremos daquela época!

Pois estas pessoas que lá estiveram, formando famílias, criando filhos na ignorância, sem acesso sequer a um curso superior, ou o Senhor acha que atrás de uma seringueira tinha uma faculdade? Então, estas pessoas, bitoladas pela dificuldade que enfrentavam limitadas pela necessidade do BB em estar lá, em servir o propósito do Governo Federal, foram de uma hora p ara outra simplesmente descartados, sem dó nem piedade, apenas “perdas aceitáveis de um processo econômico”.

Engano, grande engano, era “gente”, vidas, sonhos criados num concurso público, esperanças de um futuro seguro que compunha o pacote vendido pelo BB, pelo qual além de termos pago um preço altíssimo, ainda não o recebemos. Outra mentira!

Imoralidades, mentiras, enganação? Pois já que estamos falando de “realidades”, vamos a maior delas.

Pergunto: Porque o tratamento diferenciado entre os pedevistas de 91/95 e os pós dezembro/97? Claro que a resposta merece um capítulo à parte, mas simplificando a coisa, posso dizer o seguinte: Os pedevistas de 91 receberam apenas 50% das contribuições pessoais a Previ. Os pedevistas de 95 receberam 98% das contribuições. Os pedevistas de dezembro/97 em diante receberam o tal 80% da Reserva Matemática, que explicada é a contribuição patronal.

Agora o imoral, o escândalo, a vergonha, a bofetada na cara do pessoal de 91 e 95, pois falta a explicação do motivo pelo qual o BB agiu assim. Pois eu sei e muita gente sabe. As contribuições do pessoal de 95 tinham que ser retidas, porque foram elas que proporcionaram o acúmulo do dinheiro da Previ, que se transformou na operação fraudulenta dos quase 11 bilhões entregues ao BB em dezembro de 1997.

Porque a partir de dezembro de 1997 o BB “agraciou” os pedevistas com o incentivo dos 80% da Reserva Matemática? Muito simples, porque já estando saneado e ainda precisando demitir, deparou-se com uma dificuldade imensa, pois passados mais de dois anos da saída do pessoal de 95, os funcionários da ativa já tinham conhecimento que todo mundo tinha “dado com os burros n’água” e ninguém queria nem ouvir falar de PDV, principalmente porque sabiam que sequer os financiamentos da Carim os ex-colegas estavam conseguindo honrar.

Assim o BB resolveu incentivar as demissões, permitindo o resgate das cotas patronais e é aí que se cria o inaceitável, a imoralidade, a bestialidade, quando BB/Previ ao mesmo tempo em que se debatiam nos tribunais negando as cotas patronais aos pedevistas de 95, entregavam estas mesmas cotas aos pós-dezembro/97, na maior demonstração de “cara de pau”, falta de respeito e consideração com aqueles que dedicaram suas vidas ao Banco.

Senhor Presidente, muito ainda pode ser dito, um livro posso escrever sem pestanejar, pois o tema é rico em detalhes, principalmente os mais sórdidos, criminosos, ridículos, mas não é este meu objetivo, pois como já disse, não estou preocupado com ações judiciais, passadas ou futuras, quero apenas a verdade, dizê-la me faz bem, me tranquiliza, me torna útil. Utilidade que espero do Senhor e do cargo que ocupa, para que não deixe passar a oportunidade de ouro que se apresenta agora e resolva definitivamente a questão dos pedevistas.

Muito já fizemos, conhecimento de causa não nos falta, temos muita capacidade de organização e luta. Já chegamos as Cortes Internacionais de Direitos Humanos e não vamos desistir nunca, pelo menos eu não, mas também conhecemos a realidade, sabemos o que é possível fazer e o que não é, no fundo sabemos que nunca mais retornaremos ao BB, até porque “vaso quebrado não cola”, todavia acreditamos que assim como o BB se utilizou a vida toda da Previ para resolver uma série de problemas, que o faça novamente, mas agora por uma causa nobre, por uma questão de respeito aqueles que um dia foram seus colegas, que partilharam dos mesmos sonhos, que leram a mesma CIC Rural, a mesma CIC Funci e que também idolatravam um carimbo de “Gerente Geral” como o ápice de suas vidas.

Deixamos nosso dinheiro lá na Previ, ou melhor, nos forçaram a deixar. São público e notório que geramos parte do superávit e agora assistimos, como mortos de fome em janela de restaurante fino, os outros saborearem nosso prato predileto.

Podemos resgatar o que ficou lá, mas também podemos receber um benefício proporcional, todavia podemos parar de sermos despejados de nossas casas, porque não temos dinheiro para pagar a Carim.

Isto é uma vergonha para uma instituição como o Banco do Brasil, que gasta fortunas na mídia tentando vender uma imagem de segurança, seriedade e respeito ao cliente, quando ao mesmo tempo pisoteia em seus ex-funcionários, tratando-os como se lixo fossem.

Senhor Presidente, o cargo é seu, mas também a decisão de “ser”, ou de “estar” Presidente do Banco do Brasil e espero, juntamente com os milhares que me acompanham, que o Senhor não seja apenas mais um que por aí passou, sem dizer “porque veio”.

Esta carta não é exclusividade do Senhor, é pública, é da internet. Somos organizados e ao mesmo tempo em que remeto ao endereço principal, ela circula por todos os blogs, jornais, revistas, sindicatos, partidos políticos, igreja e todo o círculo de amigos e colaboradores que possuímos, para que o País inteiro acompanhe a verdade, da qual ao menos nós não temos medo. Saudações, Ary Taunay Filho.

Ary Taunay Filho Silveira (foto) é ex-funcionário do Banco do Brasil e atualmente Presidente da UPD – União dos Pedevistas e Demetidos do BB, entidade criada com foco de atividades na REINTEGRAÇÃO ao emprego, na defesa das execuções da CARIM, resgate total das contribuições a PREVI e no reconhecimento da Fraude no decreto 81.240/78, em defesa aos ex-funcionários que foram vítimas do famigerado plano de demissões do BB no período de 1995/2002.

 

 

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By Aucenir Gouveia

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Autor

Poeta, Filósofo, Político. Pós graduado em Administração Pública e Gestão Pública. Ex-Funcionário do BB, Ex-Vereador e atualmente Servidor Público. Gerente da Agência do Trabalhador [SINE] da SEJU/MTE do Governo do Estado do Paraná, na Cidade de Mandaguaçu.

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