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Memória curta, voto nulo e obrigatório

O povo brasileiro não gosta muito de política e isso é fato, basta ver o resultado de algumas eleições. Dias desses estava conversando com uma conhecida sobre programas da televisão aberta e ao falar do CQC (Custe o que custar da Band) ouvi dela que os filhos adoravam o programa até pouco tempo atrás. Qual o motivo do descontentamento repentino? O programa passou a fazer abordagens aos políticos e isso era desinteressante para seus filhos ainda adolescentes.

Para quem nunca assistiu o CQC, assista um trecho do vídeo clicando AQUI.

Imagem ilustrativa

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Eu mesmo já andei muito descrente desse modelo político e depois de vivenciar diversas situações do lado de dentro da política posso garantir: a democracia que praticamos é um governo de poucos e de tolos.

Memória curta

Quer um exemplo? Você se lembra em quem votou para presidente, certo? Não precisa me falar… Ótimo! Tenho certeza de que votou em quem achava mais competente ou anulou seu voto. Mas e para deputado estadual e deputado federal, você também se lembra? O que seu candidato andou fazendo por você? Já tentou enviar um e-mail para ele pedindo algo para sua comunidade?
Como você pode ver, o problema não é tão simples… Primeiramente, não valorizamos o voto nesses representantes, o que faz deles, em minha opinião, parlamentares ocos. Se não sabemos porque votamos, como criticá-los por não fazer o que queremos? Ainda assim, nem nos damos ao “trabalho” de fiscalizarmos as suas ações, muito menos somos propositivos.
Fora o fato de muitos de nós nem sabermos ao certo para que serve tanto cargo e qual o papel de cada um.

Voto nulo e voto obrigatório

Esse “desconhecimento” e “desinteresse” pela política é que faz nossos candidatos serem tão ruins. Sou contra votar nulo, da mesma forma que sou terrivelmente contra o voto obrigatório. Para mim, são duas imbecilidades. Não acredito na principal tese dos que anulam o voto, a de que eles não se identificam com nenhum candidato, por isso preferem anular o voto a declarar sua preferência pelo “menos pior”. Qual o problema com essa tese?
Em qualquer eleição ganha o candidato que obtiver 50% dos votos e mais 1 eleitor. Vamos falar em um universo de 100 milhões votos. Os votos brancos e nulos não entram na conta, ok? Então, se 20 milhões de pessoas anulam o seu voto ou votam em branco, ao invés do candidato precisar de 50 milhões + 1 para ganhar, ele precisará de 40 milhões + 1. E será eleito por, aproximadamente, 35% dos eleitores, pouco mais que um terço do eleitorado. Conversando com um político de peso ouvi a seguinte frase: “o povo não vota errado, somos nós que não sabemos orientá-lo”. Ele até que não está errado, a democracia brasileira é muito jovem, tem pouco mais que vinte anos e o maior problema é que quando votamos “errado” leva-se muito tempo para corrigir o rumo.

Vergonha de ser brasileiro?

O que me preocupa é o famoso “jeitinho brasileiro”. Em 2005 ocorreu o famoso mensalão, caixa dois comprovado pelo maior partido do país, o PT, e o que aconteceu? Nada. Em qualquer outro lugar do mundo o partido seria dizimado, aqui ficou o dito pelo não dito e tudo bem. Ocorreu até uma reeleição e também a sucessão. Tudo bem que o outro candidato era menos simpático e populista, mas temos que ter limite. Corrupção é corrupção e ponto final.
Daí respondo a primeira pergunta, às vezes, sinto vergonha de ser brasileiro. O mundo nos olha com a mesma incredulidade que olhamos os estadunidenses (quem nasce nos Estados Unidos é tão americano quanto nós) depois da reeleição do George Bush.
Frases como “eu não sabia”, “é só uma marolinha”, “a crise foi feita por pessoas brancas e de olhos azuis” realmente me deixam muito envergonhado.

Vale a pena ser honesto?

Respondendo a segunda e a terceira pergunta, sou honesto e vale a pena sê-lo, independentemente da postura alheia. Durmo muito bem, obrigado.
Muitos anos atrás eu tinha uma namorada cujo pai me detestava, porém toda vez que eu chegava na casa da moçoila e via alguém chegar com compras me disponha a ajudar a carregar sem dizer uma única palavra. Um dia ela me perguntou porque fazia isso, já que sabia da rejeição que sofria. Muito simples, não é porque o pai da moça era um cretino, que eu, muito mais jovem, deixaria um idoso carregando peso. Entendeu o recado?

Como resolver?

Voltando ao problema principal, creio que apenas os anos trarão políticos mais empenhados em resolver os problemas daqueles que os elegem. Brasília fica muito longe da realidade do Brasil e isso dificulta as coisas.
Enquanto isso sugiro a todos que se politizem, tanto faz para qual partido ou candidato, mas não se alienem.
O façam com respeito e educação, aos que não vieram com isso de fábrica, finjam que vieram. Comecem pelos seus vereadores, escolha um que se identifique com seu bairro e passem a enviar críticas, reclamações, sugestões e elogios pertinentes a sua comunidade, que apresentam projetos e fiscalizem.

Parem de reclamar uns com os outros e promovam ações para melhorar a vida do coletivo. Se quisermos políticos melhores, precisamos melhorar muito como cidadãos.

Com informações do Pergunte ao Urso
Texto original: Ser honesto e a vergonha de ser brasileiro

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Autor

Poeta, Filósofo, Político. Pós graduado em Administração Pública e Gestão Pública. Ex-Funcionário do BB, Ex-Vereador e atualmente Servidor Público. Gerente da Agência do Trabalhador [SINE] da SEJU/MTE do Governo do Estado do Paraná, na Cidade de Mandaguaçu.

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